31/01/20

Se você é do setor de alimentos, seja engenheiro, nutricionista, agrônomo ou de outra formação, mas trabalha na área, provavelmente já ouviu falar das auditorias de segunda parte para cumprimento de requisitos dos protocolos de certificação GFSI – Global Food Safety Initiative.

É bem verdade que essas auditorias são muito importantes para a cadeia de alimentos como um todo. Mais do que cumprir com requisitos das certificações em voga, as auditorias em fornecedores de alimentos garantem além da padronização de produtos, aquilo que há de mais fundamental quando o assunto é alimento: a sanidade e segurança do que se oferece ao consumidor final.

Obter, através de auditorias independentes um raio x da sua cadeia de fornecedores, gerando dados estatísticos que lhe permitam mensurar e mais que isso, mitigar riscos, é fundamentalmente importante em uma economia globalizada onde um produto pode levar um sem-número de países em sua composição.

Auditorias de segunda parte realizadas por empresa independente da área, com profissionais tecnicamente qualificados geram condições de melhoria na cadeia, os aspectos são muitos:

Diagnóstico real: Auditorias geram informações reais de determinado fornecedor, como uma fotografia do momento em relação a sua produção, seus controles internos e a segurança do que este está produzindo;

Mitigação de Riscos: Com um diagnóstico da cadeia de fornecedores, possibilita-se ao cliente a criação de mecanismos e controles para a redução de riscos alimentares em seus fornecedores, tornando os produtos / insumos fornecidos mais seguros;

Cumprimento de requisitos: As certificações GFSI (BRC, IFS, FSSC22000 e demais) demandam que as indústrias certificadas tenham ferramentas para garantir o cumprimento de requisitos por parte de seus fornecedores. Neste caso, um programa de auditorias implementado é a principal alternativa encontrada, a mais econômica e eficaz.

Estreitamento de relações com fornecedores chave: Uma vez que você desempenha o papel de fomentar a melhora de sua cadeia e oferece ao seu parceiro/fornecedor ferramentas de melhoria, cria-se um ambiente de cooperação e alinhamento de estratégias, sensibilizando o fornecedor a cumprir com os padrões necessários;

Esse é o entendimento que viabilizou por exemplo o projeto de desenvolvimento de fornecedores APAS, que se utiliza de um padrão de auditorias no mínimo anual e apresenta aos fornecedores das maiores redes de varejo do país um modelo escalável de melhoria contínua à pequenas e médias indústrias do país. O programa consiste em 2 modelos de checklists – um básico e outro intermediário e à medida que o fornecedor realiza suas auditorias e melhora seu processo, ele se aproxima das certificações GFSI. Em média, uma pequena indústria pequena leva cerca de 4 anos para estar apta a se certificar em alguma norma internacional.

Uma vez certificada, estar em uma base de dados mundial de indústrias aptas é uma vitrine de negócios. Players do mercado buscam diariamente por fornecedores com esta característica.

Hoje, 100% dos fornecedores de marca própria dessas redes por exemplo, fazem auditorias no mínimo anuais neste padrão e possuem compromissos de certificação com seus clientes. Além disso, há uma base de dados APAS que reúne todas as empresas auditadas e as redes de varejo se utilizam desta base para buscar novos fornecedores e desenvolver novos produtos e tecnologias.

O Brasil é ator principal na economia mundial quando o assunto é produção de alimentos, mas ainda estamos começando a construir modelos que deem aos players de mercado, a segurança que eles têm em países menos representativos. A busca das indústrias, se direcionadas no sentido das certificações mundiais de segurança dos alimentos, abrirá mercados antes inexplorados e alçará nossas indústrias para outro patamar, com acesso a mercados externos, grandes clientes e visibilidade.

 

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